Paulinho Lêmos

A Bossa Nova foi o movimento musical mais importante do Brasil no século XX. Oficialmente começou em 1958 quando o vinil do cantor
João Gilberto chegou às lojas de discos brasileiras, incluindo a música Chega de Saudade de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e Bim Bom do próprio cantor.
A grande influência da cultura norte-americana do pós guerra combinada com os aspectos do impressionismo acadêmico (Debussy, Ravel) e um sentimento de inconformidade com o formato musical que existia na época no Brasil disseminaram descontentes inovadores. O tripé da nova bossa fundou suas raízes na densidade musical do compositor Antonio Carlos Jobim, na
luminosidade poética de Vinicius de Moraes e na genialidade do intérprete João Gilberto. No entanto, a Bossa Nova foi mais do que qualquer outra coisa, um movimento de emergência urbana num Brasil em desenvolvimento durante a presidência de Juscelino
Kubitschek (1955-60). Concentrou-se no Rio de Janeiro em apartamentos na Zona Sul, como o da cantora Nara Leão em Copacabana que organizava encontros de jovens autores e músicos como Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo, Chico Feitosa, entre outros. O clássico mais importante desse movimento é o tema Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, gravado em 1963 por João Gilberto, sua esposa Astrud Gilberto, o saxofonista de jazz Stan Getz e Tom Jobim nos EUA e expandiria o Estilo Bossa Nova para todo o planeta. “Garota de Ipanema” é hoje uma das músicas mais
gravadas do mundo. Algumas das principais músicas desse movimento foram regravadas por ases internacionais como Ella Fitzgerald, Miles Davis, Sarah Vaughan, Herbie Mann, Charlie Byrd,
Oscar Peterson, Bill Evans, Coleman Hawkins, Cannonball Adderley, Gerry Mulligan, Frank Sinatra, Chet Baker e muitos outros.

PAULINHO LÊMOS
Desde que decidiu mudar-se para Portugal, por volta da
metade dos anos oitenta, Paulinho Lêmos tornou-se um dos músicos brasileiros mais representativos da música de seu país no velho continente e especialmente na cena portuguesa e espanhola, onde actua com uma assiduidade que diz muito de suas atitudes artísticas. Com dez discos no mercado e um currículo em que
encontramos aparições em cenários de primeira linha como o Festival de Jazz Montreux, Expo’98, Museu Guggemhein Bilbao, Mestres da Lusofonia, etc. Se algo está claro é que a sutileza e a qualidade deste guitarrista e intérprete é todo um presente para os
ouvidos mais exigentes. Uma noite para se deixar seduzir por este “auto-nomeado” cidadão do mundo.