O Sul de José Afonso

“O Sul de José Afonso” insere-se no âmbito dos 30 anos do seu falecimento que se assinalaram a 23 de Fevereiro de 2017 e pretende valorizar a forte ligação de José Afonso ao Algarve (re)construindo toda uma geografia afectiva, simbólica e musical do percurso de José Afonso na região, dando a conhecer aspectos menos conhecidos e curiosos dessa ligação que tanto influenciou a sua vida e obra.
O concerto evoca o seu ofício de professor, primeiro em Lagos e depois em Faro e os vários episódios, entre curiosos, caricatos e difíceis, que viveu nas escolas por onde passou, desde os métodos que utilizava até à impressão/influência que deixou nos seus alunos.
Os seus locais de tertúlia, encontro e convívio, e de inspiração musical, nas cidades de Lagos (Meia Praia, entre outros), Faro (Café Aliança, por exemplo) e Olhão (Escandinávia Bar, na Fuzeta) são outro tópico incontornável desta viagem.
Memórias dos concertos clandestinos que realizou no Algarve, as histórias que se contavam a seu respeito, as músicas e letras que produziu sobre ou inspiradas na região, como os “Índios da Meia Praia”, “Escandinávia Bar – Fuzeta”, “Ó Vila de Olhão”, “Pastor de Bensafrim”, entre outras. Recorde-se que entre 1962 e 1968 Zeca Afonso cria as suas primeiras músicas de intervenção, encetando um período de grande inspiração e fertilidade artísticas.

Este espectáculo junta, pela primeira vez em palco, duas vozes singulares e maiores: o compositor e cantor João Afonso (sobrinho do cantautor também ele com raízes algarvias e o professor de música e intérprete Luís Galrito, reconhecido divulgador da obra de Zeca no Algarve e não só. Esta dupla propõe-se reinventar, pelo
repertório e arranjos, a obra do genial compositor e intérprete. São acompanhados por dois músicos: Rogério Pires na guitarra clássica e Paulo Pires no acordeão, bem como por Sónia Pereira, que irá declamar vários poemas e contar algumas histórias pouco conhecidas sobre José Afonso no Algarve.
O formato completa-se com a projecção de imagem, a cargo de João Espada, que deambula, de forma poética e simbólica (e em diálogo com a componente musical), pelos lugares, gentes e paisagens algarvias actuais e de outros tempos ligados à vivência de José Afonso ao sul.

Ficha técnica:
João Afonso – voz e guitarra
Luís Galrito – voz e guitarra
Rogério Pires – guitarra e coros
Paulo Machado – acordeão
João Espada – VJ (visual arts)
Sónia Pereira – declamação