Para Além do Branco – Exposição de Fotografia de Filipe da Palma

A CÔR NA ARQUITECTURA ALGARVIA
Para além da imagem de um Algarve cuja existência se remete para uma longa e litoral fímbria, de paradisíacos areais banhados por cálidas águas de um oceano sempre meigo e azul, existe uma outra cuja criação e posterior transmissão tem vindo a marcar presença de forma vincada e permanente no imaginário de todos os que consigo tomaram contacto, correspondendo esta à de uma habitação totalmente coberta de branco.
De facto, o discurso sobre a existência deste véu que mais se assemelha a uma alva mortalha, descendo por vezes a uma seminal e romântica ocupação do espaço por povos vindos do norte de África, cedo surgiu como catalisador de linhas de pensamento e de fazer história cuja existência, em bom escrever, ocultam a verdade que é mais complexa e policromática.
O Algarve, território de múltiplas e diversificadas paisagens incorpora em si a real riqueza de uma miríade de soluções de sentir e ocupar o espaço, das quais a habitação de branco caiada somente é uma amostra de um determinado sentir de uma determinada época, a qual, após discursos mais ou menos inflamados sobre a pureza e a tradição vingou até aos dias de hoje.
Em uma campanha dirigida à população local, lançada em 1980 pela Comissão Regional de Turismo do Algarve existiu a “tentativa não só de restituir o Algarve à sua cor tradicional, mas até de impor o branco como a cor urbanística do Algarve” e onde foi escrito “ A nosso ver o Algarve só tem turisticamente duas cores: o azul do céu e do mar e o branco das casas.”
Nesta breve mostra de imagens pretende-se transmitir um pouco dessa riqueza ainda tangível, cuja existência contraria uma visão se já não predominante nos discursos apresentados ainda vigente na maioria dos pessoais discursos da maior parte dos indivíduos.